domingo, 29 de junho de 2008

Investir nos recursos humanos como transversalidade a todas as áreas de negócio.

Filipe Vila Nova, detentor da marca Salsa






Filipe Vila Nova considera que a mais-valia está nas pessoas e que o sucesso depende do autoconhecimento.



Texto: Liliana Coelho



A intervenção de Filipe Vila Nova, presidente da Irmãos Vila Nova, detentora da marca de jeans Salsa, na 4º edição da Conferência Portugal em Exame, foi uma exposição de auto-conhecimento. Num momento de expansão internacional e recomposição accionista da empresa – o fundador passa a deter 85% do capital, cabendo a restante posição aos irmãos António e Beatriz – mostra-se confiante no futuro, e acredita em absoluto nos recursos humanos. “As pessoas bem geridas, sintonizadas, vão ao fim do mundo”, afirma. O empresário considera que o ambiente positivo estimula a criatividade. Segundo a sua filosofia de gestão “o sucesso está em linha com o autoconhecimento”. Filipe Vila Nova afirma ter uma “gaveta cheia de ideias”, e estimula o mesmo junto dos seus colaboradores.
Também Carlos Martins, presidente da Martifer, realça a importância dos recursos humanos. “O trabalho é que marca a diferença. E se for uma equipa motivada, o trabalho será melhor. Na nossa empresa preferimos ensinar as pessoas, a comprar feito”, afirma o empresário, referindo-se à importância da qualificação dos quadros. E salienta que o crescimento depende de três factores: inovação, pessoas e estrutura de capitais solidificada.

Já António Mexia explicou que a responsabilidade social está ligada à noção de criar valor. “O bem-estar das pessoas não tem a ver só com altruísmo. É óbvio que uma pessoa mais feliz produz mais.” É importante valorizar a “inovação social", dentro e fora da empresa, defende o presidente da EDP.

Salsa poderá ser vendida
Questionado sobre o destino da marca Salsa, Filipe Vila Nova adianta que a empresa apostará noutras insígnias, e admite a hipótese de alienar o negócio. “Se for necessário vender a marca a um grande grupo internacional, para ela crescer e internacionalizar-se, também o faço”, garante. Cerca de 30% da produção destina-se hoje ao estrangeiro. A Salsa está presente em 22 países, e decorrem outros testes, como lojas na Rússia e nas Filipinas. “Não me incomoda que pensem que a marca é espanhola, como já aconteceu”, o que realmente importa é o sucesso, sublinha o empresário.

Salários dos gestores
No dia em que o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos veio defender que os salários dos gestores deviam ser concertados de acordo com a zona euro, colocou-se a questão sobre a mesa. Para o presidente do BPI, o governo não tem que opinar sobre os salários que as cotadas pagam aos gestores, uma prática que classificou como “política reles”. Ulrich recordou que as empresas do PSI20 são analisadas pelo mercado de capitais e pelos colaboradores, e defendeu que “a regulação compete-nos a nós, e o governo nada tem a ver com isso". Sugeriu ainda que se o Estado considera que há disparidade entre os rendimentos das pessoas, deverá aumentar os impostos. Belmiro de Azevedo, presidente da Sonae, corroborou que “os ministros não têm autoridade constitucional, nem eleitoral, para mandar nas empresas privadas, mas podem fazê-lo através dos impostos, embora isso tenha um preço político”.
Adaptado Portugal em Exame 2008

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